História do Jiu Jitsu

História do Jiu jitsu segundo avaliação do prof. Cleiber Maia

Documentário sobre Hélio Gracie

Assista um trecho do documentário sobre Hélio Gracie produzido pelo The Biography Channel que será exibido hoje a partir das 20h (horário de Brasília).

História do Jiu Jitsu

Sou praticante de Jiu Jitsu desde 1984, tendo sido aluno da família Gracie e de professores que conviveram com os fundadores do Jiu Jitsu brasileiro. Nesse ínterim, pratiquei outras lutas com renomados e tradicionais professores e lutadores de Judô, Luta Livre, Luta Olímpica e sempre vinha à tona o questionamento sobre a verdadeira história da origem do Jiu Jitsu. Sendo assim, levei em consideração a versão das pessoas que eu conheci, a minha percepção do que realmente tinha sentido e adicionei algumas informações colhidas de fontes sérias da internet. Para preservar terceiros, não relatarei os bastidores das situações que vivi e que ajudaram a formar minha opinião sobre esse assunto, mas tenham certeza que a verdade, se não for como descrevo aqui, não deve ser muito diferente.

Eu questiono a afirmação de historiadores citados em várias ocasiões e que ninguém que eu conheça os conhece pessoalmente, sobre a origem do Jiu Jitsu na Índia. É como se déssemos o crédito da invenção do automóvel a quem inventou a roda. Assumo que as informações anteriores à cisão do Jiu Jitsu, dando origem ao Judô em 1882, ainda são praticamente uma incógnita para mim, mesmo assim relatarei essa primeira fase da história do Jiu jitsu como é vista por aí na internet.

A origem do Jiu Jitsu

Segundo alguns historiadores o Jiu-jitsu ou “arte suave”, nasceu na Índia e era praticado por monges budistas. Preocupados com a auto defesa, os monges desenvolveram uma técnica baseada nos princípios do equilíbrio, do sistema de articulação do corpo e das alavancas, evitando o uso da força e de armas. Com a expansão do budismo o jiu-jitsu percorreu o Sudeste asiático, a China e, finalmente, chegou ao Japão, onde se desenvolveu e popularizou-se.

Antigamente havia vários estilos de jiu-jitsu, e cada clã tinha seu estilo próprio. Por isso o jiu-jitsu era conhecido por vários nomes, tais como: kumiuchi, aiki-ju-jitsu, koppo, gusoku, oshi-no-mawari, yawara, hade, jutai-jutsu, shubaku e outros.

No fim da era Tokugawa (1868), existiam cerca de 700 estilos de jiu-jitsu, cada qual com características próprias. Alguns davam mais ênfase às projeções ao solo, torções e estrangulamentos, ao passo que outros enfatizavam golpes traumáticos como socos e chutes. A partir de então, cada estilo deu origem ao desenvolvimento de artes marciais conhecidas atualmente de acordo com suas características de luta, entre elas o judô, o caratê e o aikidô.

O Jiu-jitsu era tratado como jóia das mais preciosas do Oriente. Era tão importante na sociedade japonesa que chegou a ser por decreto imperial proibido de ser ensinado fora do Japão ou aos não japoneses, proibição que atravessou os séculos até a primeira metade do século XX. Era considerado crime de lesa-pátria ensiná-lo aos não japoneses. Quem o fizesse era considerado traidor do Japão, condenado à morte, sua família perdia todos os bens que tivesse e sua moradia era incendiada. Com a introdução da cultura ocidental no Japão, promovida pelo Imperador Meiji (1867-1912), as Artes Marciais caíram em relativo desuso em função do advento das armas de fogo, que ofereciam a possibilidade de eliminação rápida do adversário sem o esforço da luta corporal. As artes de luta só voltaram a ser re-valorizadas mais tarde, quando o Ocidente também já apreciava esses tipos de atividades.

A decadência do Jiu Jitsu no Japão

Por muito tempo, o Jiu-jitsu foi a luta mais praticada no Japão, até o surgimento do Judô, em 1882. O Jiu-jitsu caiu em desuso e perdeu a sua popularidade quando a polícia de Tóquio organizou um combate entre a escola mais famosa de Judô (formada por antigos lutadores de Jiu Jitsu partidários do sistema didático desenvolvido por Jigoro Kano, fundador do Judô) e um grupo de lutadores daquele antigo estilo de Jiu-jitsu que teve por resultado 12 combates de 15 ganhos pelo Judô e um empate. Desta forma a polícia de Tóquio, que resumia a sua eficácia à arte marcial, pois não usavam armas, escolheu a prática do Judô. Assim o Judô ganhou fama e popularidade por todo o Japão. No entanto muitas técnicas do Jiu-jitsu, que não se enquadravam na proposta didática do Judô, não foram esquecidas nem apagadas. A sua prática foi mantida viva por algumas escolas. Já nos dias de hoje, é difícil encontrar a arte marcial antiga e original do Jiu-jitsu, pois sofreu algumas variantes e influências de outras artes marciais de forma a adaptar-se as novas realidades e necessidades dos praticantes.

O renascimento do Jiu Jitsu no Brasil através da família Gracie

A partir do final do século XIX, alguns mestres de jiu-jitsu migraram do Japão para outros Continentes, vivendo do ensino da arte marcial e das lutas que realizavam. Esai Maeda Koma, conhecido como Conde Koma, foi um deles. Depois de viajar com sua trupe lutando em vários países da Europa e das Américas, chegou ao Brasil em 1915 e se fixou em Belém do Pará, no ano seguinte, onde conheceu Gastão Gracie. Pai de oito filhos, cinco homens e três mulheres, Gastão tornou-se um entusiasta do jiu-jitsu e levou o mais velho, Carlos, para aprender a luta com o japonês.

Franzino por natureza, aos 15 anos, Carlos Gracie encontrou no jiu-jitsu um meio de realização pessoal. Aos 19, se transferiu para o Rio de Janeiro com a família e adotou a profissão de lutador e professor dessa arte marcial. Viajou para Belo Horizonte e depois para São Paulo, ministrando aulas e vencendo adversários bem mais fortes fisicamente. Em 1925, voltou ao Rio e abriu a primeira Academia Gracie de Jiu-Jitsu. Convidou seus irmãos Oswaldo e Gastão para assessorá-lo e assumiu a criação dos menores George, com 14 anos, e Hélio,com 12.

Desde então, Carlos passou a transmitir seus conhecimentos aos irmãos, adequando e aperfeiçoando a técnica à compleição física franzina característica de sua família.

Também lhes transmitiu sua filosofia de vida e conceitos de alimentação natural, sendo um pioneiro na criação de uma dieta especial para atletas, a Dieta Gracie, transformando o jiu-jitsu em sinônimo de saúde.

De posse de uma eficiente técnica de defesa pessoal, Carlos Gracie viu no jiu-jitsu um meio para se tornar um homem mais tolerante, respeitoso e autoconfiante. Imbuído de provar a superioridade do jiu-jitsu e formar uma tradição familiar, Carlos Gracie lançou desafios aos grandes lutadores da época e passou a gerenciar a carreira dos irmãos.

Enfrentando adversários 20, 30 quilos mais pesados, os Gracie logo adquiriram fama e notoriedade nacional. Atraídos pelo novo mercado que se abriu em torno do jiu-jitsu, muitos japoneses vieram para o Rio, porém, nenhum deles formou uma escola tão sólida quanto a da Academia Gracie, pois o jiu-jitsu que praticavam privilegiava as quedas e o dos Gracie, o aprimoramento da luta no chão e os golpes de finalização.

A identificação do Jiu Jitsu como esporte genuinamente brasileiro

Ao modificar as regras internacionais do jiu-jitsu japonês nas lutas que ele e os irmãos realizavam, Carlos Gracie iniciou o primeiro caso de mudança de nacionalidade de uma luta, ou esporte, na história esportiva mundial. Anos depois, a arte marcial japonesa passou a ser denominada de jiu-jitsu brasileiro, sendo exportada para o mundo todo, inclusive para o Japão.

Em 1993 Rorion Gracie, Filho de Hélio, implantou o estilo nos Estados Unidos onde se radicou, organizando o famoso Ultimate Fighting Championship (UFC) com a finalidade de mostrar a superioridade do Jiu-Jistu Brasileiro perante as outras artes à mãos nuas. Por outro lado, em 1997 Rickson Gracie se tornava ídolo no Japão ao vencer o maior evento de competição de artes marciais mistas (MMA) já promovido naquele país, o Pride.

Como resultado do aumento no número de lutadores, campos de treinamento, troca de informação e kinesiologia/cinesiologia moderna (estudo do movimento do corpo humano), a compreensão da luta e das diferentes estratégias foi significativamente melhorada. Joe Rogan, comentador do UFC, alega que “as artes marciais evoluíram mais nos dez anos seguintes a 1993 do que nos últimos 700 anos”.

Esse reconhecimento mundial do Jiu Jitsu brasileiro, seu aperfeiçoamento técnico e sua disseminação mundo afora na mesma velocidade da evolução dos meios de comunicação, fez surgir um novo universo de oportunidades e é nesse sentido que a Equipe LPM Jiu Jitsu se propõe a ampliar as perspectivas de quem deseja praticar artes marciais.

Prof. Cleiber Maia

Últimos Tweets


Follow @lpmjiujitsu

Visitantes