Artigos prof. Cleiber Maia

Artigos escritos pelo prof. Cleiber Maia.

Não perca a conexão com a essência da arte marcial

Um artista marcial deve sempre estar preparado para uma situação de conflito nas ruas, mesmo que ela não venha acontecer nunca. Aliás, essencialmente o Jiu-Jitsu foi criado para dar condições a qualquer pessoa enfrentar qualquer situação possível de combate. Isso cria um universo de possibilidades infinito, tornando essa arte marcial a mais completa que existe.

Por causa disso, culturalmente o Jiu-Jitsu está associado à inovação e criatividade, surgindo a cada dia um lutador demonstrando uma técnica derivada de outra. No entanto, toda derivação pode criar uma solução, mas por si só cria um distanciamento do que é a essência da luta e nesse momento entra a figura do mestre que deve sempre observar em que ponto o lutador está se tornando vulnerável na ânsia de se tornar especialista em algo. No cotidiano ou nos tatames, um lutador deve sempre procurar inovar, mas sempre respeitando seus princípios e os conceitos básicos da luta, caso contrário em algum momento ele pode agir de forma antiética ou fora de propósito.

Em muitos casos peço para os alunos iniciantes que ainda não sabem o que fazer em algum momento se imaginem numa briga de rua e se posicionem de acordo, fazendo com que ele vivencie a essência da luta e permita se conectar com seus instintos, pois sempre terá que usá-los em decisões urgentes, seja na luta ou não. Meu propósito não é incentivá-lo a brigar e sim a agir de forma coerente e perceber a urgência da reação numa luta e na vida. Nos dias que utilizo esse recurso pedagógico dou uma breve palestra sobre códigos de conduta de praticantes de artes marciais para que haja a conexão entre a ação e a filosofia que desenvolvemos a partir da prática do Jiu-Jitsu.

Com o tempo, um aluno que deixa de ser considerado iniciante aprende e cria as derivações que falamos anteriormente e que deixam seu “jogo” mais amplo e complexo, além de desenvolver estratégias que o tornam mais competitivo esportivamente falando. Nesse momento crítico da evolução do lutador, um professor deve alertar, sempre que pode, sobre a atitude e os riscos que estão por trás do que seu aluno está tentando se especializar.

Estimulo a inovação constantemente e acho que somente ela dará autonomia a um artista marcial. Também acho interessante o atual fenômeno onde técnicas são demonstradas em vídeos pela internet e não condeno técnicas que se demonstram efetivas em competições esportivas e que não são factíveis em uma briga de rua, mas alerto que o treino leva ao hábito de tal forma que num momento de estresse somos impelidos a agir por instinto, repetindo o que foi condicionado no tatame ou no cotidiano. Portanto, cuidado com os hábitos do seu dia a dia, seja no tatame ou fora dele.

Por Prof. Cleiber Maia

Gravura criada pelo artista Antônio Zanon para a SJJSAF

As três opções básicas de um lutador

Quando uma pequena tartaruga nasce na praia reage imediatamente aos estímulos do ambiente e mesmo sem raciocinar toma rapidamente a direção do mar sem titubear. Hoje em dia, numa luta, sua resposta é imediata e na direção certa?

Você faz parte de um sistema e se estiver em sintonia com ele, saberá reagir prontamente e na direção certa. Não existe ser vivo ou lugar nesse mundo que não esteja inserido em um sistema. Um atleta está para o Jiu jitsu assim como um filho está para sua família. Nesses dois universos existem tensões que podem deixá-lo seguro ou inseguro, existe competição entre irmãos ou adversários de luta, existem alegrias, compaixão, dor e outros sentimentos que vão te mover para que se torne uma pessoa única e especial. E o que promove equilíbrio em um sistema? A tensão. Tudo se move em função das tensões existentes no sistema. Isso é uma lei da natureza e não podemos ignorá-la.

Quando há tensão em um sistema, existem três tipos básicos de movimento a se tomar. Ou você se afasta, ou você se aproxima, ou você ataca/agride. Mesmo uma pequena planta que nasce ao lado de uma frondosa árvore numa floresta tem seus mecanismos para conseguir proteção e alimento. Naturalmente pelas circunstâncias, ela adota estratégias diferentes de sua enorme vizinha e às vezes tem vida mais longa que ela. Qualquer mecanismo de defesa que se adote, do mais simples ao mais elaborado deve começar com uma dessas três opções e na luta não seria diferente. Tanto o lutador que ataca impiedosamente o adversário exaurido, como o lutador que se afasta do oponente que está na iminência de passar sua guarda, ou o lutador que puxa para a guarda o outro que domina melhor a luta em pé, estão reagindo de acordo com as tensões existentes e com os recursos que ele entende possuir. Numa luta, adotar um movimento na direção errada pode ser fatal, portanto, esteja em sintonia sempre.

A velocidade e a direção desse nosso movimento dependem do quanto estamos em sintonia com o sistema/universo, mas sobre a sintonia que o lutador deve exercitar falaremos mais tarde.

Por Cleiber Maia

A luta e o sentido de nossas vidas – Discurso do evento de Graduação LPM 2012

Em 29/12/2012 o professor Cleiber Maia da equipe LPM graduou seus alunos e, como de praxe, proferiu algumas palavras que sintetizam o espírito dessa equipe e o propósito para mais um ano de desafios que está por vir.

” Vocês sabem o que é lutar? Lutar significa usar técnicas, estratégias, controle emocional, força e atitude para enfrentar desafios.

E vocês sabem o que diferencia pessoas normais de lutadores?
Lutadores encararam tudo na vida como desafio e usam a seu favor técnicas, estratégias, controle emocional, força e atitude. Se nada nos desafiar, então nós criamos um desafio e que seja assim enquanto estivermos vivos, porque um lutador não vive sem desafios.

E a fé? Lutador precisa ter fé para lutar?
A fé de um lutador deve ser resumida a duas coisas. A primeira é que Deus é justo. A segunda é que quanto mais eu me esforçar e melhor eu conhecer as regras do jogo, mais eu mereço ganhar os desafios que me proponho a enfrentar. Essa forma de encarar a vida nos prepara para enfrentar qualquer tipo de situação.

Vocês ganharam um diploma porque se portaram como verdadeiros lutadores em 2012 e nele também diz a sua graduação atual. No ano que vem, vocês receberão um novo diploma com uma graduação maior ainda, o que significa que vocês estarão cada vez mais preparados para enfrentar qualquer desafio no tatame e na vida.”

Oss!

Pontos Chaves no treinamento de Artes Marciais

É importante que sejamos críticos ao escolhermos as técnicas que vamos treinar  e devemos nos nortear levando em conta alguns critérios:

Legalidade – Adaptação da técnica para que seja enquadrada ao contexto da regra;

Estrategismo – As técnicas devem ser pertinentes à estratégia de um lutador – não partem do nada, e não são realizadas sem um propósito. A estratégia deve ser elaborada desde a postura /posicionamento inicial até as alternativas em caso de reação do adversário;

Fator Surpresa – Temos que fazer a técnica ser o mais surpreendente possível levando em conta a postura adotada pelos adversários em questão;

Criação da Oportunidade – Devemos induzir o adversário a nos facilitar a aplicação da técnica, ou seja, devemos estimular uma reação que nos criará a oportunidade da aplicação da técnica.

Condicionamento do Instinto – Devemos entender o conceito da técnica, mas na hora de aplicá-la, os movimentos devem ser realizados instintivamente. O movimento realizado em uma técnica não deve ser intelectualizado no momento de sua aplicação porque esse processo retarda a tomada de decisão. Assim como para andar, se equilibrar, reagir ao calor do fogo ou ao som do estampido de uma arma de fogo, você não pensa, simplesmente reage. Somente a repetição promove o condicionamento do corpo. Portanto treine repetindo os movimentos de uma técnica até que seu corpo os faça de forma instintiva.

Sintonia – Tão importante quanto saber realizar os movimentos da técnica é ter a percepção de quando devemos aplicá-la e em que ritmo isso deve acontecer. Nesse sentido, devemos entrar em sintonia com nosso adversário e aproveitar as oportunidades que aparecem no exato momento em que elas acontecem.

Criação de alternativas – Um lutador só domina uma técnica quando domina as técnicas adjacentes a ela.  Devemos criar e treinar técnicas para lidar com as possíveis posturas e reações do adversário anteriores, posteriores e durante a aplicação da técnica.

Maturidade – Todo aprendizado depende de certo nível de amadurecimento e não seria diferente no treino de uma arte marcial. Existem momentos em que algumas posições não são assimiladas tão rapidamente, portanto seja perseverante no treinamento, mas tenha a consciência que o amadurecimento está diretamente ligado ao fator tempo. Cada um tem seu tempo, inclusive você. Respeite isso!

 Prof. Cleiber Maia

Lições de uma competição – O caminho do sucesso

Uma competição é sempre uma oportunidade de aprendizado intenso e passar por essa experiência pode ser inspirador para o nosso dia a dia, aliás, a competição esportiva nada mais é do que um treino para a vida. Sendo assim, vejamos algumas lições que podemos tirar dessa vivência:

  • Aceitar desafios – Ter a coragem de enfrentar situações críticas e não paralisar diante do medo de um possível fracasso.
  • Estudar as regras – Ajuda a desenvolver uma estratégia competitiva e a identificar, em condições de igualdade e de forma justa, como podemos ser melhores que nossos adversários.
  • Iniciativa – Sempre procurar estar um passo a frente do adversário.
  • O poder da reação – Canalizar a energia para sair de uma situação de desvantagem o mais rapidamente possível.
  • Foco no positivo – Saber o que se quer e acreditar até o fim que pode conseguir, por maior que sejam os obstáculos.
  • Companheirismo – Encorajar o amigo, apoiar enquanto há chance, confortar na derrota e comemorar junto na vitória.
  • Saber lidar com erros – Admitir que errou, até porque ninguém é perfeito o tempo todo (mesmo na vitória), identificar quais foram os erros e aprender com eles.
  • Saber lidar com a derrota – O fracasso nada mais é do que uma oportunidade de começar de novo com mais inteligência e redobrada vontade.
  • Obstinação – Treinar, se esforçar e nunca desistir, mesmo quando achar que é o fim, pois no fim tudo acaba bem e se não está bem, é porque o fim ainda não chegou.
  • Saber lidar com o sucesso – Ter a humildade de saber que uma vitória não é garantia de futuros sucessos e que o maior mérito está no esforço e não no resultado.
  • Gostar de ter sucesso – Não se contentar com apenas uma vitória e sempre buscar novos objetivos a serem alcançados.

Prof. Cleiber Maia

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