Não perca a conexão com a essência da arte marcial

Um artista marcial deve sempre estar preparado para uma situação de conflito nas ruas, mesmo que ela não venha acontecer nunca. Aliás, essencialmente o Jiu-Jitsu foi criado para dar condições a qualquer pessoa enfrentar qualquer situação possível de combate. Isso cria um universo de possibilidades infinito, tornando essa arte marcial a mais completa que existe.

Por causa disso, culturalmente o Jiu-Jitsu está associado à inovação e criatividade, surgindo a cada dia um lutador demonstrando uma técnica derivada de outra. No entanto, toda derivação pode criar uma solução, mas por si só cria um distanciamento do que é a essência da luta e nesse momento entra a figura do mestre que deve sempre observar em que ponto o lutador está se tornando vulnerável na ânsia de se tornar especialista em algo. No cotidiano ou nos tatames, um lutador deve sempre procurar inovar, mas sempre respeitando seus princípios e os conceitos básicos da luta, caso contrário em algum momento ele pode agir de forma antiética ou fora de propósito.

Em muitos casos peço para os alunos iniciantes que ainda não sabem o que fazer em algum momento se imaginem numa briga de rua e se posicionem de acordo, fazendo com que ele vivencie a essência da luta e permita se conectar com seus instintos, pois sempre terá que usá-los em decisões urgentes, seja na luta ou não. Meu propósito não é incentivá-lo a brigar e sim a agir de forma coerente e perceber a urgência da reação numa luta e na vida. Nos dias que utilizo esse recurso pedagógico dou uma breve palestra sobre códigos de conduta de praticantes de artes marciais para que haja a conexão entre a ação e a filosofia que desenvolvemos a partir da prática do Jiu-Jitsu.

Com o tempo, um aluno que deixa de ser considerado iniciante aprende e cria as derivações que falamos anteriormente e que deixam seu “jogo” mais amplo e complexo, além de desenvolver estratégias que o tornam mais competitivo esportivamente falando. Nesse momento crítico da evolução do lutador, um professor deve alertar, sempre que pode, sobre a atitude e os riscos que estão por trás do que seu aluno está tentando se especializar.

Estimulo a inovação constantemente e acho que somente ela dará autonomia a um artista marcial. Também acho interessante o atual fenômeno onde técnicas são demonstradas em vídeos pela internet e não condeno técnicas que se demonstram efetivas em competições esportivas e que não são factíveis em uma briga de rua, mas alerto que o treino leva ao hábito de tal forma que num momento de estresse somos impelidos a agir por instinto, repetindo o que foi condicionado no tatame ou no cotidiano. Portanto, cuidado com os hábitos do seu dia a dia, seja no tatame ou fora dele.

Por Prof. Cleiber Maia

Gravura criada pelo artista Antônio Zanon para a SJJSAF

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